Fórum Experimental

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Terça-feira, Setembro 05, 2006

Mamori Art Lab - Gravações de campo na Amazônia

De 18 a 27 de agosto, Lindenberg Munroe e Thelmo Cristovam - ambos membros do Fórum de Música Experimental - participaram da segunda edição do Mamori Art Lab, um programa de cinco oficinas de experimentação e intercâmbio em fotografia, som, design e arquitetura, no meio da floresta amazônica.

Os dois paticiparam da oficina de field recordings "Natural and virtual sound environments: the ‘real’ world as a source for sonic creation", coordenada por Francisco López - doutor em Biologia de Ecosistemas e reconhecido na cena experimental underground.

A seguir, trechos da apresentação que Lindenberg fez ontem no encontro do Fórum, já de volta a Fortaleza. [A qualquer momento ele mostrará aqui as fotos e também deixará disponíveis os arquivos de áudio.]


_Fui fazer este curso, que consistia em ir aos rios e igarapés para gravar os sons dos animais e do ambiente natural para depois manipulá-los no computador."

_Pegamos um barco em um dos portos da cidade de Manaus. Eram nove pessoas e todo o seu equipamento dentro da embarcação. Mais à frente, passamos pelo encontro das águas do Rio Negro e do Rio Solimões. Chegamos a outra cidade à margem, onde pegamos um ônibus. Depois pegamos outro barco. Passamos por vários, vários rios. Na Amazônia, os rios são nossas estradas."

_Então chegamos ao lago Mamori, onde ano passado foi construída essa cabana, com quatro suítes e forrada por telas, para proteger dos insetos. Toda a carne que comíamos vinha do rio: pirarucu, piranha. A 20 minutos de barco, havia onde comprar outros alimentos."

_No grupo não havia só músicos. O próprio Francisco López, que estava nos recebendo, é biólogo. Havia designers, artistas plásticos, gente que trabalhava com arte-instalação, fotógrafos. Vinham do País Basco, Bélgica, África do Sul, Espanha, Brasil. Gerson [um nativo] era nosso guia nos rios."

_Passamos 12 dias, contando com o tempo que ficamos em Manaus. Nossa atividade era ir a campo e depois trabalhar em laboratório. Em geral, deixávamos o microfone e nos afastávamos durante a captação. A idéia era reduzir ao mínimo a interferência humana."

_Não vamos falar de música. Vamos falar de criação. Havia uma garota chamada Tulipa, que nunca havia trabalhado com música no computador, mas que conseguiu fazer algo mais interessante do que muitos de nós que já trabalhamos com isso há mais tempo."

_Em uma atividade extra, Tulipa e eu demos aula de musicalização para as crianças da comunidade. No final dos trabalhos, também reunimos a comunidade para apresentar o que realizamos nos dias que passamos no lago Mamori. Todos os integrantes do grupo também levaram consigo a produção dos outros."

_Tudo é muito grandioso na Amazônia - os rios, as árvores, a quantidade de animais. No início, quando ainda estávamos a caminho da cabana, vi ao fundo da paisagem uma tempestade se formando e aquilo me impressionou muito. Os ruídos dos animais criam uma grande polifonia. Quando eu apontava a lanterna para baixo, para o rio, via milhares de animais se movimentando através do feixe. A mesma coisa acontecia quando apontava para cima: aparecia uma infinidade de insetos voando acima de nós, pela luz. No material que compus no Mamori Art Lab, fiz referência a isso: à dinâmica do muito pequeno e do muito grande. Criei uma pasta sonora que representasse não exatamente esse ambiente, mas o efeito que ele teve sobre mim."

_ [t.aragão]

1 Comments:

Blogger tuveri 92 said...

Ciao io sono un ragazzino di 14 anni e mi chiamo alessandro,sicuramente capirai poco o nulla di quello che sto scrivendo,comunque complimenti per il tuo blog!mi piace davvero molto,ciao!

9:07 AM  

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